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Para ser muito franco, era mais blablablá

Essa é a definição do acordo entre Brasil e Japão para a criação da fábrica de supercondutores segundo o ministro do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge. Ele participou de um Fórum de Circuitos Integrados e a Agência Estado fez um relato.

Para tratar da escolha do padrão japonês, uma delegação brasileira foi em 2006 ao Japão, liderada pelos ministros das Comunicações, Hélio Costa, e das Relações Exteriores, Celso Amorim. Na oportunidade, foram assinados vários documentos, inclusive um compromisso de se discutir a instalação da fábrica.

 

“Eu vi esse documento. Eu nem chamaria de documento de intenções. Pelo que eu li, ele não chegava nem a ser um memorando de entendimento”, disse Miguel Jorge, depois de participar do Fórum Executivo em Circuitos Integrados. “Era uma coisa, muito assim, de que estava disposto a estudar. Para ser muito franco, era mais blablablá. Acredito que era o que era possível negociar naquele momento”, acrescentou.

A notícia toda está em http://portalexame.abril.com.br/ae/economia/m0159988.html e vale ler. Meses depois, o que era penas especulado é confirmado pelo próprio governo.

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A visão da Positivo sobre a TV Digital

O pessoal da Nova Corja, blog interessante sobre política, tá entrevistando algumas pessoas sobre a TV Digital. Eles estão indo pelo viés político, mas a primeira entrevista foi com o pessoal da Positivo. Vale ressaltar que é a empresa que produz os set-top boxes mais baratos.

Posso dizer tranqüilamente que a TV digital brasileira fracassou?

Nos seus termos, pode. O mercado não respondeu de forma alguma às expectativas da indústria. Veja você que hoje, menos de seis meses depois do lançamento oficial do sistema, estamos discutindo como “relançar” a TV digital no Brasil. Isso desde a parte técnica até esclarecimentos para o consumidor. Neste ponto, digo tranqüilamente que foi feita uma comunicação direcionada só para classe A e B que têm TV de Plasma. Faltou explicar as vantagens para a maior parte das pessoas.

A entrevista toda tá aqui. Semana passada conversei com eles e rendeu uma conversa maior. Expliquei algumas coisas que conversamos em aula com o pessoal e outras que explicamos mais por aqui. Confira a outra entrevista aqui.

André Pase

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Killer Apps e televisão

Quando se fala de tecnologia que está em um período de implantação, eventualmente surge a necessidade de um Killer App: uma capacidade, função, aplicação ou mídia que torna uma nova tecnologia extremamente atraente e a posiciona como muito superior às demais em um determinado momento. Esta percepção de diferença move os mercados e motiva os consumidores a adotarem as novas tecnologias. 

A televisão tradicional encontrou suas killer apps ao conseguir refletir o cotidiano com mais agilidade que o cinema, trabalhando com ciclos de produção mais ágeis e desenvolvendo o conceito de uma grade de programação, fomentando regularidade, periodicidade e hábito no consumidor. 

A grade de programação vem sendo tensionada por todos os lados: por uma concorrência mais acirrada proporcionada pela variedade de canais de televisão disponíveis e o zapping, pelo deslocamento temporal lançada pelos videocassetes e depois desenvolvida em DVRs/gravadores de DVD, pela revenda de séries em DVD e pela distribuição de conteúdo de televisão através da internet em diversas plataformas.

Quando chegamos às portas da TV Digital, o que temos sendo proposto como killer app? Em um primeiro momento, mais definição de imagem e som. Tenho minhas dúvidas se é forte o suficiente, uma vez que não transforma fundamentalmente a relação do espectador com a televisão. Esta relação somente pode se transformar com a entrada de elementos de interatividade no processo, a tecnologia conhecida como Ginga e citada pelo Pase em um post anterior.

Seguramente uma imagem em HD é mais interessante que uma em resolução normal. A câmera citada esses dias pelo Pellanda é um objeto de desejo de todo o time deste blog. Porém, se as pessoas considerassem apenas a resolução como parâmetro para seu consumo de audiovisual, ninguém assistiria ao Youtube e as salas de cinema estariam invariavelmente cheias, pois lá está ainda a maior resolução em produtos audiovisuais.

O killer app do cinema foi o movimento registrado em filme e a construção de um imaginário escapista, de astros, estrelas e tramas extraordinárias. Na televisão foi chegar mais perto do cotidiano do espectador e acostumá-lo com uma grade de exibição. Na televisão digital a busca está aberta e o tempo está correndo. Seria chegar mais perto ainda com a mobilidade? Ou tentar aproximar-se de outras necessidades com a prestação de serviços? Ou algo que ainda não se conhece? Sem um bom motivo, a adoção de uma nova tecnologia acaba sendo muito mais lenta.

Roberto Tietzmann

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Público grava em HD – e nada na minha TV

Como fã de música, coleciono gravações de fãs de shows, os famosos bootlegs. Também conhecidos como piratas, são gravações não-oficiais feitas por fãs com câmeras e gravadores. Em tempos de celulares turbinados e câmeras pequenas, os registros ficam cada vez melhores. E agora são em alta definição.

Semana passada, navegando por torrents, encontrei mais uma gravação de show feita em alta definição. O show todo contava com mais de 15 gigas, mas a gravação foi “baixada” para uma versão em tela cheia analógica com 7,4 gigas (um disco double-layer) em virtude da atual massa de leitores de DVD convencionais. O gravador ainda deixou um aviso, a imagem em HD tá conservada para colocar na rede assim que os gravadores de blu-ray ficarem mais populares. E não é o primeiro show que eu vejo assim, pouco a pouco isso fica comum.

Aí eu fico com uma dúvida malandra na minha cabeça… as pessoas por aí já gravam, compartilham, queimam material em alta resolução e quando isso vai bater na tela da minha TV de fato? Sei que algumas emissoras gravam uma ou outra matéria, mas só vai pra São Paulo. Espero que logo a coisa ganhe as ruas, porque algumas pessoas – ainda poucas – não esperam por isso e vão atrás da tecnologia. Aí acontece o que uma finada loja de eletrônicos já dizia, “onde o amador vira profissional”.

André Pase

Imagem: Arte sobre composição de Hugh Syme

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Folha: TV Digital só ‘pega’ bem em 1/3 da cidade de São Paulo

Várias matérias na edição de domingo da Folha de São Paulo (no caderno Dinheiro, e não na Ilustrada ou no Mais!) abordam problemas de recepção do sinal da TV Digital na cidade de São Paulo, até agora a única com transmissões regulares no país. A Folha Online tem um resumo, que reproduzo abaixo:

Um estudo da Philips mostra que o sinal digital das TVs abertas é falho em 33% dos 103 pontos da Grande São Paulo medidos pela empresa. Com isso, a cobertura da TV digital só é satisfatória em 2 milhões dos 5,5 milhões dos domicílios da região metropolitana, informa o colunista Daniel Castro em reportagem publicada neste domingo pela Folha.

O estudo mostra que, dependendo da localização do televisor e do material usado no imóvel (paredes muito grossas, por exemplo), o usuário pode ter que instalar uma antena externa para receber um bom sinal.

A pergunta é: em uma televisão analógica tradicional o mesmo não se aplicaria? Curiosamente, a matéria não traz a informação de como estas dificuldades de recepção se comparam com a recepção da televisão analógica padrão. Contando com antenas de características semelhantes, internas ou externas, quem ‘pegaria’ melhor? A televisão analógica ou a digital?

O estudo da Philips mencionado na matéria é um site bastante informativo, que inclui um mapa de São Paulo que indica os pontos e intensidades de recepção. RT.

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Corroendo a audiência das TVs abertas

Televisão aberta sempre se definiu como um veículo de comunicação de massa, sendo essa a medida de seu equilíbrio financeiro e de seu estilo. O que está acontecendo, no entanto, é que a massa de espectadores progressivamente vem se fracionando a ponto de encontrarmos notícias como a que transcrevo abaixo, do portal adnews.com.br:

 RJ foge da TV 26/3/2008 10:13:00

O Rio de Janeiro está se desligando da TV. A audiência do sinal aberto na cidade despencou e, nos últimos três anos, quase 20% do total de televisores da Grande Rio foram desligados. A média diária que anteriormente era de 44%, caiu para 36% em pesquisa realizada em fevereiro deste ano.

Apesar da queda nacional sobre o número de aparelhos ligados, não há registro de tanta perda quanto no Rio. Diante dos números, a Rede Globo já ligou sinal de alarme e procurou o Ibope a fim de descobrir as causas da evasão da TV aberta.Segundo informa o colunista do jornal Folha de S.Paulo, Daniel Castro, a explicação para o desinteresse especula-se em torno de três motivos: “elevado número de evangélicos, alta pirataria a cabo em áreas controladas pelo tráfico e dificuldade de medição pelo Ibope.”

Com o resultado, o Rio ultrapassou Minas Gerais (38%) na lista das cidades que menos assistem à TV. Capitais praianas como Fortaleza e Recife mantêm índices altos: 46% e 45%. São Paulo vem logo atrás com 44% e Brasília com 41%.  

 

E então? É um problema de medição do Ibope ou as pessoas estão consumindo meios audiovisuais por outros caminhos que não estão em sintonia com  as estruturas tradicionais de investimento e remuneração baseadas em aferição de audiência e na venda destes índices presumidos aos anunciantes? Não sabemos ainda, mas uma coisa é curiosa: os espectadores do Rio não estão migrando para a tv digital, uma vez que as transmissões na cidade ainda engatinham e os conversores continuam caros por enquanto. RT.

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Dúvidas e Mais Dúvidas (I)

Mal comecei uma e aqui vai outra série de posts do blog. Dessa vez vou pegar algumas dúvidas que surgem nas aulas e mixar com coisas vindas dos comentários. A Eliane passou por aqui refletindo uma dúvida que tinha expressado no blog dela, sobre comprar ou não o equipamento pra TV Digital agora.

Costumo dizer que não é o momento. Além de não ter transmissão experimental oficialmente por aqui, com o perdão do termo, as TVs que realmente usam o potencial do sinal são poucas. O mercado hoje conta com muitos aparelhos chamados de HD Ready, prontos pra receber o sinal (resolução de 1280 x 720). Essas TVs conseguem exibir uma imagem bem melhor, mas poderiam render mais, não exploram todo o potencial. As TVs que fazem isso são as poucas Full HD (HD total), com resolução de 1920 x 1080. 

No Natal e liquidações de verão, muitas pessoas compraram TVs novas. Alguns preços estavam em conta, porém poucos entenderam que esse PRONTO P. TV DIGITAL significa que a tela pode exibir, mas não conta nem mesmo com o famoso conversor de sinal.

Aí volta a pergunta que mexe com o bolso: vale a pena investir tanto assim na TV Digital por agora? Talvez não muito. A programação é pouca (vou falar disso no futuro) e formada basicamente pela trinca shows de auditório – futebol paulista – filmes enlatados. A Interatividade é um capítulo mais complicado em toda essa trama, não temos nada de interessante por enquanto, sem falar que alguns set-top boxes não permitem upgrade do firmware.

Nestes tempos confusos, vale segurar um pouco. Dói perder um pouco da qualidade da imagem, perder aquele gol com a grama arrancada do gramado na hora do chute, mas conteúdo, mensagem, mesmo não será perdido. E essa espera pode ser compensada com preços melhores nos aparelhos.


André Pase

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