Quando se fala de tecnologia que está em um período de implantação, eventualmente surge a necessidade de um Killer App: uma capacidade, função, aplicação ou mídia que torna uma nova tecnologia extremamente atraente e a posiciona como muito superior às demais em um determinado momento. Esta percepção de diferença move os mercados e motiva os consumidores a adotarem as novas tecnologias.
A televisão tradicional encontrou suas killer apps ao conseguir refletir o cotidiano com mais agilidade que o cinema, trabalhando com ciclos de produção mais ágeis e desenvolvendo o conceito de uma grade de programação, fomentando regularidade, periodicidade e hábito no consumidor.
A grade de programação vem sendo tensionada por todos os lados: por uma concorrência mais acirrada proporcionada pela variedade de canais de televisão disponíveis e o zapping, pelo deslocamento temporal lançada pelos videocassetes e depois desenvolvida em DVRs/gravadores de DVD, pela revenda de séries em DVD e pela distribuição de conteúdo de televisão através da internet em diversas plataformas.
Quando chegamos às portas da TV Digital, o que temos sendo proposto como killer app? Em um primeiro momento, mais definição de imagem e som. Tenho minhas dúvidas se é forte o suficiente, uma vez que não transforma fundamentalmente a relação do espectador com a televisão. Esta relação somente pode se transformar com a entrada de elementos de interatividade no processo, a tecnologia conhecida como Ginga e citada pelo Pase em um post anterior.
Seguramente uma imagem em HD é mais interessante que uma em resolução normal. A câmera citada esses dias pelo Pellanda é um objeto de desejo de todo o time deste blog. Porém, se as pessoas considerassem apenas a resolução como parâmetro para seu consumo de audiovisual, ninguém assistiria ao Youtube e as salas de cinema estariam invariavelmente cheias, pois lá está ainda a maior resolução em produtos audiovisuais.
O killer app do cinema foi o movimento registrado em filme e a construção de um imaginário escapista, de astros, estrelas e tramas extraordinárias. Na televisão foi chegar mais perto do cotidiano do espectador e acostumá-lo com uma grade de exibição. Na televisão digital a busca está aberta e o tempo está correndo. Seria chegar mais perto ainda com a mobilidade? Ou tentar aproximar-se de outras necessidades com a prestação de serviços? Ou algo que ainda não se conhece? Sem um bom motivo, a adoção de uma nova tecnologia acaba sendo muito mais lenta.
Roberto Tietzmann
3 Comentários
Abril 14, 2008 às 3:35 am
Tietzmann, perfeito o teu post. Para mim ele toca no centro da questão. A resolução HDTV é facilmente percebida por nós mas não do usuário leigo. Qualquer plasma ligada no cabo já está aceitável para a maioria das pessoas. Por isso, que várias lojas tem enganado os consumidores com o HD ready.
Acho que todos precisamos agora pensar no Ginga, gostando dele ou não.
Abril 14, 2008 às 1:48 pm
Obrigado, Pellanda! Agora é que a curiosidade pega mesmo: o que seria um killer app para televisão com interatividade? Acho que depende muito do canal de retorno e da capacidade de chamar novos conteúdos.
Abril 14, 2008 às 4:57 pm
Aí que mora o perigo. Lembro de ver uma demonstração do potencial do Ginga com um exemplo da compra de uma pilha Duracell durante o Matrix I. Acho perigoso isso, se lotares demais a oferta de vendas, pode acabar com a novela e transformar o espaço de visão em um MercadoLivre sem controle. Abre espaço – e que espaço – pra quem souber dosar venda com informação, sem overdose. Vai ser divertida a transformação dos programas com isso, heh.