Em 1995 o cultuado e contestado Nicholas Negroponte, co-fundador do Media Lab no MIT, disse no livro A Vida Digital que o “Horário Nobre é o meu”. Ele fez um exercício de futurismo baseado no fato de que a digitalização dos meios somada com a expansão da Internet poderia transformar a experiência de consumo temporal. A escolha sobre o que ver, e quando ver, está cada vez mais presente com tecnologias como o TIVO e os sites de vídeo. Esta matéria do NYT abrange muito bem a questão colocando vários exemplos para mostrar o fenômeno.
Complementando o último post do Träsel, começam a surgir vários modelos de aparelhos de TV que já vem com conexão built-in. Isso começou a me chamar a atenção na última CES com aparelhos da Panasonic e outras marcas com Widgets e várias formas de conexão.
A Sharp está lançando uma linha de LCD (foto) com conector LAN e navegador para a Web. Ainda não sei se esta função tem que ser da TV ou de algum periférico. O Pase já mostrou como é bem feita a implantação do Opera no Wii. Eu uso o um Macmini ligado na tela e acho que seria uma solução perfeita se a Apple incorporasse o Safari no Front Row. Resumindo, ainda não tenho certeza se o caminho da Sharp e Panasonic é o certo.
O gráfico acima, cortesia da Economist, mostra a penetração da IPTV no mundo. Como nota a revista britânica, países pequenos e relativamente ricos tendem a ter uma melhor infraestrutura de redes de banda larga, o que facilita o uso da IPTV, ou seja, a distribuição do sinal de televisão via Internet.
Já que a TV digital no Brasil está em coma e, de qualquer modo, não vai abrir mais canais no espectro de transmissão, de repente as empresas de telefonia interessadas em produzir conteúdo poderiam investir numa estrutura de fibra ótica que permitisse o uso de IPTV. Aí, sim, com video on-demand e toda a interativida a que se tem direito.
A Wired fez uma matéria neste mês sobre várias estrelas que tem se destacado primeiro na Web e depois na TV. Talvez uma das primeiras tenha sido a Amanda Congdon (foto) do Video Podcast Rocketboom.
É interessante ver este caminho de volta, no começo da Web tudo era diferente com vários âncoras apresentando as notícias em portais como o Terra e o UOL.
Se observarmos o que está acontecendo nos EUA podemos ter uma base do nosso futuro. Olhem este artigo do NYT que explica a dificuldade na transição. Isso tudo, em um país onde a maioria tem TV a Cabo mas que existem ainda 13 milhões de pessoas com antenas convencionais. O formato ATSC não é dos melhores para a recepção com estas antenas e isso é um problema.
Além disso, a distribuição da tecnologia também é um problema, pude observar em loco a tentativa do governo de liberar cupons de desconto para conversores. Vamos ver como a coisa toda vai se dar no Brasil…
Buzzwords são palavras que circulam muito e são corrompidas ao designarem diferenciais de tecnologias e produtos. Como já postamos no blog, a “Alta definição” ou “HD” não é tão alta assim. E, certamente, a indústria já está pensando em algo para comprarmos depois de todos terminarem o carnê das telas Full HD. O que seria?
A resposta saiu nessa madrugada: a JVC apresentou no Japão o “Super Hi-Vision”, uma tecnologia de projeção digital que permite imagens de 35 megapixels.35! Isso é, segundo o post no Gizmodo, 16 vezes a resolução de HDTV. Isso é também mais que o dobro da resolução estimada da película cinematográfica 35mm, padrão da indústria, e provavelmente oferecerá dificuldades para a produção de imagens. Qual câmera consegue filmar nessa resolução? Nenhuma hoje. Todavia, imagens sintéticas, como animações feitas por computador, podem nos oferecer esta riqueza de pontos com o acréscimo de algumas horas de processamento.
Na próxima semana os alunos da cadeira de Jornalismo Online II da Famecos começam um módulo de conhecimento do Ginga. Vamos testar algumas aplicações rápidas e, após as atividades, vamos dividir os resultados por aqui.
O pessoal da Nova Corja, blog interessante sobre política, tá entrevistando algumas pessoas sobre a TV Digital. Eles estão indo pelo viés político, mas a primeira entrevista foi com o pessoal da Positivo. Vale ressaltar que é a empresa que produz os set-top boxes mais baratos.
Posso dizer tranqüilamente que a TV digital brasileira fracassou?
Nos seus termos, pode. O mercado não respondeu de forma alguma às expectativas da indústria. Veja você que hoje, menos de seis meses depois do lançamento oficial do sistema, estamos discutindo como “relançar” a TV digital no Brasil. Isso desde a parte técnica até esclarecimentos para o consumidor. Neste ponto, digo tranqüilamente que foi feita uma comunicação direcionada só para classe A e B que têm TV de Plasma. Faltou explicar as vantagens para a maior parte das pessoas.
O Brasil adotou o padrão 1seg para a TV Digital móvel como já comentamos. A Europa usa o DVB-H e os EUA estão divididos entre este último e o MediaFLO, que foi desenvolvido pela Qualcomm. Esta é a mesma empresa que está por trás do EVDO que a Vivo usa. Olhem esta demo de um novo aparelho da LG rodando na rede da AT&T.
Está disponível uma página de referências anexa aos posts do blog. Serve para reunir indicações de bibliografia e conteúdos relacionados ao tema que debatemos aqui. O conteúdo dela veio -e vem- de artigos, dissertações e teses que a equipe do blog produziu (com um chute inicial da tese do Pase), logo os livros citados foram realmente lidos por algum de nós e temos certeza que são relevantes.